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Fatigues é uma série de desenhos monumentais que a britânica Tacita Dean realizou para a Documenta de Kassel no ano passado. Há quase dez anos distante dessa mídia, Dean voltou a usar giz branco em quadro negro para narrar a descida caudalosa das águas do Rio Kabul pelas montanhas do Afeganistão. Na visão de Dean, a natureza, é sublime, imponente e abundante. Os rastros vigorosos de giz no quadro escuro transmitem o poder exuberante da enxurrada, que, incansável, varre os obstáculos do caminho.

Em Fatigues, portanto, não há fadiga. O trabalho é uma metáfora - quase óbvia, é verdade, mas não menos energizante - das fadigas da vida, que tão comumente nos arrastam à força correnteza abaixo. No caso de Dean, o trabalho alude também a uniformes militares, que em inglês são chamados de fatigues, e à exaustão sentida após o encerramento de sua exposição no Turbine Hall da Tate Modern em 2011, em Londres.

Hoje é o último dia de Fatigues na Marian Goodman Gallery. 

    • #Marian Goodman
    • #Tacita Dean
    • #desenho
  • 3 months ago
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É difícil categorizar o trabalho de Richard Artschwager que, desde os anos 60, tem criado arte que transita entre o Pop, o Minimalismo e a Arte Conceitual. Partindo de temas populares e materiais banais, como fórmica e Celotex, Artschwager transveste esculturas em mobiliário, mobiliário em pinturas, pinturas em protuberâncias de parede. O que se espera ser bidimensional, o artista faz ocupar o espaço a partir de texturas e ilusionismo. Inversamente, a tridimensionalidade é achatada em cantos e superfícies planas e improváveis do espaço.

Vista em conjunto na recente retrospectiva no Whitney Museum, a obra de Artschwager se revela astuta, espirituosa e intrigante. Entender a inutilidade desses objetos que se disfarçam de arte exige uma aproximação mais direta e mais aberta do espectador. Exclamation Point (Chartreuse), de 2008, um ponto de exclamação amarelo gigante que encerra a mostra atesta que arte, para Artschwager, não passa de uma grande interjeição, o resultado da nossa reação de supresa e maravilhamento frente à ela. 

A retrospectiva de Artschwager fica em cartaz no Whitney só até domingo, 03 de fevereiro.

    • #Richard Artschwager
    • #escultura
    • #pintura
    • #desenho
    • #whitney museum
  • 4 months ago
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Três artistas distintos, trabalhando em três mídias diferentes: desenho, pintura e fotografia. Porém, entre os três ressoa uma familiaridade não só midiática, mas também temática, que os alinhava entre representações mundanas e descartáveis. Toba Khedoori, James Welling, e Al Taylor extraem formas de cordas, arames, paredes, e objetos domésticos. Khedoori faz pinturas que beiram fotografias, enquanto Welling faz fotografias que se transvestem de pinturas. Taylor, por sua vez, alterna mídias durante seu processo criativo. Expostos lado a lado, percebe-se que as esculturas servem de inspiração para os desenhos. Por fim, a bidimensionalidade dos planos volta a unir os três artistas. No entanto, a galeria David Zwirner, ao invés de congregá-los num único show, os reservou espaços individuais em múltiplas salas. São também três exposições diferentes.

Até 27 de outubro.

    • #Al Taylor
    • #David Zwirner
    • #James Welling
    • #Toba Khedoori
    • #fotografia
    • #desenho
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  • 9 months ago
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Bianca Casady nasceu no Havaí e nunca passou por uma escola de arte. Na verdade, ela deixou o colégio aos 16 anos e tudo o que aprendeu de dança, música e arte foi por conta própria. Hoje, além da meio-folk-meio-freak CocoRosie, banda que formou com sua irmã em 2003 em Paris, Casady desenvolve trabalhos em desenho, colagem, fotografia, vídeo e instalação.

Em Daisy Chain, em cartaz na Cheim & Read até 8 de setembro, a artista discute  principalmente questões de gênero e sexualidade, transformando corpos femininos em masculinos e vice-versa. Em sua maioria, são personagens cujas posições dos corpos confrontam o espectador, às vezes o seduzindo, às vezes o desafiando. Além disso, as conotações sexuais a que o título infere são evidentes não só no encadeamento simbólico das imagens, mas também no volume quase compulsivo de trabalhos que se associam uns aos outros por formas e temas. Atuando em múltiplas mídias, a imaginação de Casady se revela explosiva e insaciável. 

    • #Bianca Casady
    • #Cheim & Read
    • #CocoRosie
    • #colagem
    • #desenho
    • #instalacao
    • #fotografia
  • 10 months ago
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Sempre associei o pintor norte-americano Ellsworth Kelly a suas abstrações geométricas simplificadas, porém vibrantes, dos anos 50 e 60. Foram elas que lhe trouxeram reconhecimento, e são elas que normalmente aparecem nos livros de arte que dão conta do movimento abstracionista de Nova York dessa mesma época. O que eu desconhecia, e que a atual exposição Ellsworth Kelly Plant Drawings no Metropolitan Museum belamente me elucidou, é que Kelly desde os anos 40, quando morou em Paris e estabeleceu seu estilo, busca inspiração para suas pinturas em plantas e formas orgânicas da natureza. A partir de profundas observações, o artista cria desenhos cujas estruturas ele reduz a meros contornos. São traços únicos em grafite, que se tornaram mais titubeantes, mas não menos coesos, ao longo das décadas. Em cerca de oitenta obras, Plant Drawings revela a unidade e a solidez de Kelly tanto com o lápiz, quanto com o pincel. 

Em cartaz no MET até 3 de setembro. 

    • #Ellsworth Kelly
    • #desenho
    • #abstração
  • 11 months ago
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Últimos dias pra conferir a retrospectiva dos primeiros anos de Keith Haring, em cartaz no Brooklyn Museum até domingo, dia 08. Keith Haring 1978-1982 cobre o período em que o artista começou a desenvolver sua linguagem visual, de iconografia simplificada e quase infantil, tanto no estúdio, quanto nas ruas de Nova York. A mostra exibe mais de uma centena de cartazes, desenhos, vídeos, fotografias, diários, e até painéis retirados do metrô, a maioria, raramente exibidos. A exposição desvenda uma fase altamente sexualizada e política do artista, em que ele já empregava conscientemente a simbologia que se tornaria sua marca registrada nos anos seguintes. Keith Haring 1978-1982 surpreende especialmente porque revela não só a consistência do traço, mas também a clareza de conteúdo e objetivos dos projetos de Haring desde o princípio, característica que o definiu como um dos artistas mais importantes e populares da nossa geração.  

    • #keith haring
    • #brooklynmuseum
    • #street
    • #poster
    • #desenho
  • 11 months ago
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Os desenhos minuciosos do Ethan Murrow literalmente me sugaram pra dentro da Winston Wächter Fine Art. Na minha última ida a Chelsea, não tinha Dopple Doppelgänger na lista de exposições pra visitar, mas da rua, esses personagens mágicos me impeliram a ir conhecê-los. E que bela surpresa. Murrow cria mundos fantásticos, de ilusionismo quase obsessivo, habitados por protagonistas que parecem saídos do circo, do laboratório de ciências ou de um filme do Jean-Pierre Jeunet. 

 Winston Wächter Fine Art, até 22 de outubro. 

    • #Ethan Murrow
    • #Winston Wätcher Fine Art
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  • 1 year ago
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Até que enfim, setembro chegou! Depois de um agosto quase-parando por aqui, finalmente a temporada de arte recomeça, e recomeça bombando com o 9/11, com o perdão do trocadilho infame. Só se fala disso, só se pensa nisso, só se revê isso. No que diz respeito à arte, os próximos três meses terão uma avalanche de exposições dedicadas ao tema, mas isso é assunto pra amanhã. A notícia boa é que tem museu e galeria suficiente por aqui com um tantão de outras ótimas exposições programadas. O prenúncio é de um bom semestre.

Ontem, por exemplo, foi a noite das vernissages nas galerias de Williamsburg. Os espaços se uniram e criaram um evento para promover a área e atrair mais público para as mostras. A iniciativa se chama Every 2:ND Friday, ou numa tradução tosca, “toda segunda sexta-feira,” do mês, no caso. A ideia é incentivar o fluxo de uma galeria para a outra e, pra isso, tem até mapinha com os participantes de cada dia.

Na teoria, tudo é muito legal; na prática também, porque caminhar pelo Brooklyn é sempre uma delícia. Porém na arte, essa noite ficou a desejar. Das quatro exposições que vi, só os desenhos do Michael Schall, na Pierogi, realmente me despertaram reações. Fiquei particularmente entusiasmada com o domínio da técnica de Schall, e com a habilidade dele em fazer tanta luz emanar do papel. A transição entre luz e sombra dessas paisagens inóspitas e fantasiosas me remeteu a um cenário de David Lynch: a claridade é o rastro de alguém que não vemos, mas sabemos que está lá, a nossa espera. 

Wall Cloud fica em cartaz na Pierogi até 2 de outubro. 

    • #desenho
    • #williamsburg
    • #Michael Schall
    • #Pierogi
  • 1 year ago
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Jim Dine risca, apaga, rabisca, sobrepõe, arranha, retraça, lambuza, desenha. O artista pop experimenta com técnicas e materiais e reinventa o método mais antigo da história da arte. Não só isso, Dine também olha para a antiguidade clássica ao buscar inspiração de formas e temas. O resultado são desenhos que misturam o moderno e o tradicional com beleza e vigor. 

Jim Dine: My Glyptotek Drawings, na Morgan Library até 4 de setembro, surgiu da coleção de desenhos que o americano criou na década de 80, depois de visitar o museu Glyptothek de Munique, dedicado a esculturas greco-romanas clássicas. Dos desenhos, Dine publicou um livro de gravuras, também à mostra na exposição.


    • #Morgan Library
    • #desenho
  • 1 year ago
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Enquanto a turistada se espreme na fila pra ver o McQueen, na sala ao lado as galerias do Metropolitan estão vazias com a belíssima exposição Richard Serra Drawing: A Retrospective. Uma lástima que a exuberância hollywoodiana do McQueen esteja aniquilando a experiência silenciosa e monumental do Serra. As duas exposições não são nem de longe comparáveis, mas a proximidade geográfica entre elas e a recorrente reação de indiferença dos amigos que as têm visitado, me obrigam a correr o paralelo. 

Imaginem passar mais de uma hora dentro de um espetáculo de som e luz  magnífico, percorrendo oito salas envolventes, repletas de informação histórica e designs esplendorosos, que exploram ao máximo, a ponto de exurir, a visão e a audição. Imaginem agora sair desse espetáculo e entrar numa sala branca com quadrados pretos gigantes afixados na parede. O que vocês vão enxergar? Uma sala branca com quadrados pretos gigantes afixados na parede. Nada mais. Porque depois de esgotar os sentidos no McQueen, qualquer tipo de absorção no Serra é ilusória. Não é possível ver o que não existe; não é fácil ouvir, quando só há silêncio. Pra se desligar dos exageros do McQueen e entender a pureza do Serra, os olhos e os ouvidos precisam de tempo até que voltem a não ver e não ouvir novamente.

Richard Serra, assim, não é um artista visual, mas sim, inteiramente corporal. O escultor, conhecido por suas enormes estruturas de aço, exige um contato mais visceral e mais desinibido com sua arte. Ele demanda tempo, espaço, introspecção e, sobretudo, imaginação. As obras não se sobrepõem, elas se tocam e se equilibram, cada uma na exata posição em que deve estar. Não existem excessos, existe ausência. Serra oferece o que é apenas necessário, convidando o público a interagir física e metaforicamente com suas criações.

Minha dica então é: controlem a ansiedade e invertam a ordem das coisas. Visitem o Serra antes de entrarem na fila do McQueen. Entrem com a cabeça e o corpo descansados, parem por alguns minutos em frente a um dos desenhos e esperem alguns instantes. Permitam que os olhos se acostumem com o preto, que aos poucos deixa de ser preto e passa a receber nuances cinzas. Descubram a textura da tinta na superfície e sintam a densidade e a monumentalidade que a combinação dos dois materiais exerce sob seus corpos. Assim como acontece com suas esculturas, o contato aproximado com os desenhos de Serra faz com que nos sintamos diminutos, engolidos por eles. É possível sentir o peso do papel se fechando sobre nossas cabeças. Se afastem novamente e então vocês verão que, onde antes os olhos enxergavam quadrados pretos, a imaginação agora cria outras formas. São portais que se expandem e se contraem, buracos negros, esculturas profundas, cujas múltiplas faces só se revelam quando nos movimentamos pela sala. Enxergamos o que é plano com olhos, e o que é tridimensional, com a mente. Enxergamos o que não existe, e sentimos o que desejamos. Na redução Malevichiana de formas e cores, Serra nos dá liberdade plena de interpretarmos o que quisermos. É a essência da arte no seu melhor papel. Podemos ver nossas vidas inteiras num abismo, um poço profundo, de possibilidades infinitas. Ou podemos continuar vendo apenas um quadrado preto grudado na parede. Afinal de contas, Richard Serra não obriga ninguém a pensar. 

Richard Serra Drawing: A Retrospective cobre mais de 40 anos de carreira do artista, apresentando desenhos e sketchbooks realizados em diferentes mídias e materiais. A mostra fica em cartaz até 28 de agosto no segundo andar do Met Museum. 


    • #Metropolitan Museum
    • #desenho
    • #escultura
    • #Richard Serra
  • 1 year ago
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Keith Haring, na Gladstone Gallery, até 01 de julho. Só essa informação já seria suficiente pra fazer qualquer vivente dar um pulo em Chelsea. Mas vou dizer também que estão expostos desenhos em nanquim, executados durante a faculdade, e painéis do início da carreira do artista, que ele fez em parceria com o Bill T. Jones, durante uma performance na The Kitchen, em 1982. Ou seja, a trip até Chelsea, mesmo no calor escaldante, vale muito. 

    • #Gladstone Gallery
    • #desenho
  • 2 years ago
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Enquanto a Lady Gaga atira no próprio pé com a capa horrenda do novo cd dela, o artista inglês James Roper arrasa com desenhos de corpos humanos que se transformam em máquinas. Lembrei de Crash, do David Cronenberg, e dos calendários de borracharias; me pareceu uma simbiose perfeita.

A exposição na Joshua Liner também tem telas em acrílico, exageradamente coloridas e barrocas pro meu gosto. 

    • #JoshuaLiner
    • #Desenho
    • #street
  • 2 years ago
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Arte em Nova York.

AboutME: Art historian de profissão, publicitária de formação e fotógrafa por empurrão. Curiosa de matar, persistente de irritar, art gallery addicted e bibliômana confessa. Morei em Porto Alegre, Londres, Paris e no mar. Hoje em dia navego o NYC subway atrás de arte que me arrepia a nuca e embrulha as tripas.

(Foto do background: Steven Seigel)
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