Pra ser fotografado pelo francês JR, uma cara boa não basta. É preciso ter um ponto-de-vista, algo pra mostrar, se juntar à causa, e principalmente, é preciso pertencer a zonas de conflito ou a áreas desfavorecidas de algum lugar do planeta. Depois de ter ganho o TED Prize desse ano, JR se propôs a uma tarefa audaciosa e talvez até utópica: virar o mundo às avessas usando a arte como ferramenta. Com seu projeto Inside Out, o fotógrafo e street artist amplia o conceito de seus trabalhos anteriores e inclui a colaboração tanto de indivíduos quanto de comunidades inteiras que queiram se engajar. Pra participarsó é preciso enviar um retrato em preto e branco e responder a um breve formulário no seu site. JR devolve por correio a foto em formato de poster, pra ser colado em qualquer parede, janela ou lugar de visibilidade no bairro. Ao distribuir retratos de pessoas comuns, feitos por elas mesmas, em lugares familiares a elas, o artista quer que essas pessoas reflitam sobre a própria identidade e enxerguem a beleza da diversidade que existe entre elas.
Por Nova Iorque, JR passou nesse verão, deixando mais de 200 imagens espalhadas por Manhattan, Bronx e Brooklyn. Pra saber mais do projeto, eu imensamente recomendo o episódio, primeiro de uma série, sobre o Inside Out. É no mínimo corajoso e inspirador.
As fotos são minhas, do New York Times, e do fotógrafo Jaime Rojo (BrooklynStreetArt).