Rineke Dijkstra vence a própria timidez fotografando pessoas. A cada novo trabalho, a artista holandesa interpela estranhos para posar em frente a sua câmera. São personagens na maioria jovens, entre a idade ingrata da adolescência e o início incerto da adultez, que refletem no olhar e na posição corporal a mesma inibição com que Dijkstra os encara.
Os projetos de Dijkstra são investidas quase-antropológicas, de imersão integral e longa duração, das quais emergem séries temáticas ou temporais. Alguns dos trabalhos mais marcantes registram adolescentes na praia, mulheres nos instantes imediatos após o parto, ou toureiros ensangüentados ao final de um embate. Desde o final dos anos 90, a fotógrafa tem explorado também recursos audio-visuais, compondo retratos em movimento de jovens clubbers ingleses.
Dijkstra desevolve ainda séries em que ela fotografa a mesma pessoa por extendidos períodos de tempo, normalmente permitindo intervalos de meses ou anos entre cada imagem. As transformações são marcantes, e se revelam não só físicas, o que é inerente à idade, mas especialmente culturais e comportamentais. Utilizando-se da justeza do retrato fotográfico formal, a artista expõe o descompasso do corpo que se ajusta a novas dimensões, e da personalidade que descobre o mundo e a si mesma. As fotografias de Dijkstra são cruas e por vezes pungentes, mas também sensíveis e delicadas, profundos testamentos de humanidade, que atestam magnânimas o desconforto que é viver.
O Guggenheim exibe Rineke Dijkstra: A Retrospective até 08 de outubro.