Depois de pisar na Lua, Tom Sachs vai dar uma voltinha em Marte. Até 17 de junho, o artista comanda a estação nova-iorquina que nos leva à procura de vida no quintal do vizinho. Space Program: Mars é uma instalação gigante e imersiva, composta de algumas dezenas de esculturas que reproduzem as etapas das missões espaciais da NASA. As traquitanas de Sachs, porém, são toscas e super low-tech. O artista usa materiais de ferragem e muito compensado barato para recriar os instrumentos necessários para se chegar à superfície do planeta vermelho. Até a nave-mãe parece ter sido montada com papelão e fita crepe.
Eu tive a sorte de acompanhar uma das performances de Sachs, em que ele e sua equipe demonstram todas as fases da jornada, do lançamento, à aterrissagem em Marte, da descida exploratória, à volta pra casa. Os artistas não só utilizam os objetos de cada estação, como também incorporam as diversas linguagens (corporal, verbal, não-verbal, etc.) empregadas pela NASA e seus astronautas em cada missão. É uma pena que nos 90 minutos de performance, Sachs considera a plateia apenas como audiência, e não parte da tripulação. Space Program: Mars é arte pra se olhar, e não tocar. O que poderia ser uma experiência interativa e altamente educativa para o público, corre o risco de se transformar num espetáculo quase-circense e sem muito propósito. Apesar de ser evidente a expertise quase obsessiva de Sachs sobre programas espaciais, Space Program: Mars, no fundo, parece mesmo uma grande brincadeira, daquelas que montávamos na sala de casa, com lençóis, travesseiros, latas e panelas.